segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Eu apenas faço o que tenho que fazer

Não me permito nenhuma liberdade além disso

Desse modo me sinto protegido

E avanço na vida fortalecido internamente

É muito satisfatório viver assim

Só há um esforço sobre-humano

O do exercício da perspicácia

Para compreender exatamente o que fazer

Sem a menor sobra de dúvida

(Melqui Fernandes)

sábado, 19 de setembro de 2009

MANHÃS DE DOMINGO

Porque as manhas de domingo são assim... tão melancólicas? Desde criança, quando não sabia o que era melancolia, já sentia que havia algo de errado com o começo desse dia. Talvez o problema esteja na promessa (quase) sempre não cumprida das noites de sábado... Ou a saudade dos sermões nas missas dominicais, que me diziam exatamente o que fazer, e principalmente o que não fazer. Depois que entrei na faculdade me disseram que (quase) tudo que o padre dizia estava errado. Eu sempre desconfiei disso. Também nas manhãs de domingo não tem faculdade... Que merda são as manhãs de domingo!

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

MUNDO



A palavra mundo (ou humanidade) é nova em nosso vocabulário. Foi fixada no linguajar cotidiano pelo processo de globalização. Aquilo que o sertanejo chamava de “mundão” se referindo aos lugares onde só se alcança pela imaginação, parece não mais existir. Será isso uma verdade?

Eu que particularmente conheço pouquíssimos lugares e nunca (ainda) fiz uma viagem pro exterior, de tanto ver na televisão, ler e ouvir falar sobre diferentes lugares - que na verdade são pontos turísticos de cada capital (turística) - sinto que tenho o mundo na palma das mãos. Mas será que o Coliseu de Roma, o aeroporto de Barcelona, as lojas de Miami e o Cristo do Rio são de fato o mundo? Não seria o mercado turístico?

Penso que entre o mundo e o mercado há muito mais coisas do que pode supor nossa vã filosofia.

“QUEM CONHECE RECONHECE”




De fato. O transporte publico de natal está uma maravilha! E aproveito para parabenizar a prefeitura que JUNTO com a Seturn tem realizado grandes trabalhados, em benefício de quem, já se sabe muito bem.

Como diz a propaganda, “os usuário de transporte público de natal reconhecem que o mesmo está melhorando”. Sendo assim, é para os que não são usuários que estou escrevo esse texto, sentado numa dessas paradas de ônibus, nos limites do campus universitário da UFRN.

Para aqueles usuários de veículos próprios, que a muito não se dão ao prazer de serem transportados nessas relíquias automotivas (que chamados de coletivo), vou falar da freqüência com que passam as linhas aqui no campus.

O 63 passa muito freqüentemente, isto é, sempre a cada fim de tarde. Não é pontual, mas podemos esperá-lo em torno da hora do anjo. O Circular é menos frequente, mas nada que chegue a incomodar: passa sempre que o Nordestão faz aniversário. A linha 02, que tráz os estudantes dos confins da Zona Norte, passa a cada ano bissexto. Agora o 31, linha da qual eu dependo, passa com a mesma frequencia com que Jesus vem a terra. Ou seja, aqui na parada os mais crentes disseram que passou um dia, mais ou menos há dois mil anos, e que retornará em breve.

Como a mesma fé que espero o retorno de Jesus à terra, me dispesso do leitor enquanto fico esperando a linha 31. "Ele virá em breve"

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Novo filme do Michael Moore sobre cuba

Recebi hoje esse vídeo por e-mail e gostaria de compartilhar.

Cuba, onde tantas coisas faltam,
principalmente as supérfluas,
as inventadas pelo capital na sua necessidade de se reproduzir.
Mas onde abundam a solidariedade,
a fraternidade e, principalmente, a humanidade.

(autor não identificado)

domingo, 16 de agosto de 2009

carta para um alguém

Nunca pensei que sua pobreza moral e material tivesse tanto a me oferecer. Não tenho encontrado, nem mesmo entre os mais afortunados disto ou daquilo, tamanha felicidade de outrora. Por mais que me pese admitir, toda sua riqueza está justamente no que você não tem: pudor, medo e cuidado. Passaria a vida inteira ao seu lado, se essa sua riqueza não me despertasse tanta cobiça, ao ponto de comprometer meu futuro para estar perto dela. E tomando conhecimento (a bom tempo) da falsa promessa que é a riqueza de qualquer natureza, me afastei de você. Aproveito para agradecer a parte de sua fortuna que dividistes comigo, dizer que a trago hoje muito bem guardada, no lugar do coração onde ficam as melhores lições da vida.

sábado, 15 de agosto de 2009

a POBREZA na visão de José de Souza Martins

Não levamos em conta que no mundo contemporâneo há uma grande diversidade de pobrezas, muito alem da mera pobreza do essencial à sobrevivência física da pessoa. O pobre desse imaginário social é um pobre esquálido e fotográfico (…), um pobre abaixo da linha da miséria, mas também abaixo da linha da participação ativa nos destinos da sociedade.
(…) Nas gradações da pobreza é preciso reconhecer que muitos são pobres não porque padeçam privações materiais do essencial à sobrevivência. (…) O essencial da pobreza moderna e capitalista está na transformação do homem em coisa, na sua desumanização. Na sociedade capitalista é pobre quem é pobre de humanidade. Quando a pobreza material e alimentar o atinge, estamos apenas diante da extrema exacerbação da coisificação do ser humano: (…) a máquina da produção de riqueza não tem para ele lugar e não o tem sobretudo porque o priva da participação no universo utópico da esperança.
Pode-se mesmo dizer que nessa infernal inversão, os pobres são excluídos porque foram excluídos e privados do direito de falar por sí mesmos


MARTINS, José de Souza. Reforma Agrária: o impossível diálogo. São Paulo: Ed. da USP. 2000.